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SALA DE ESTAR
por BETO FEITOSA – jornalista e crítico musical

 

Cantor e compositor que deu seus primeiros passos em serestas e reuniões informais, Marcos Assumpção retoma o clima intimista em seu primeiro DVD e CD ao vivo, Sala de estar (MA Records/Tratore).

O conceito é da simplicidade: Marcos reuniu família e amigos no estúdio de gravação do lendário estúdio Verde, aos pés do Cristo Redentor, e fez desse espaço a sala de estar que batiza o projeto. Reuniu um timaço de músicos, selecionou um repertório que refaz sua história e gravou tudo, do início ao fim como em um show ao vivo.

As músicas escolhidas escrevem a biografia artística de Marcos. Das rodas de violão da infância ao lado do pai seresteiro trouxe uma emocionadissima Mucuripe, aqui em versão voz e piano. Da descoberta pop da juventude, escolheu Dia branco de Geraldo Azevedo. Chegando a lembrar seu primeiro CD retoma o presente que ganhou de Zélia Duncan e Lucina, Olhos de marte. Da vida na estrada lembra Talismã sem par, inédita de Jorge Vercilo que lançou em 2004. Até a literatura entra na história, quando mostra Se tu viesses ver-me, poema de Florbela Espanca que musicou em seu mais recente trabalho.

Dois compositores aparecem com destaque especial. Fagner, que dividiu shows com Marcos no projeto Novo Canto em 1999, e Chico Buarque, desde sempre um dos mais constantes na trajetória de Marcos, é lembrado em Fado Tropical e Deus lhe pague, além de uma arrebatadora versão para Roda Viva.

Na estrada de Marcos também entra seu lado compositor, apresentando as inéditas Colo e Jardins de Cor, e retomando suas Casa vazia, A Porta, Livre pra Você , Castiçais e A trilha. O clima descontraído segue também pela banda de amigos que acompanham Marcos na estrada: Daniel Santana (violão de aço, nylon, dobro, violão 12 e bandolim ), Francisco Falcon (baixo vertical , baixolão), Alexandre Mangion ( violão de aço, nylon, viola caipira), Leandro Maia (percussão e Bateria), Carlos Poubel (percussão). Em participação especialíssima, o elegante piano de Marcio Costa se junta ao grupo. Os sopros de Rogério Mesquita também fazem parte da turma.

Olhando para o passado Marcos Assumpção estreia nova fase de sua carreira. A partir desse álbum, o cantor assume praticamente sozinho a produção de seus trabalhos. Pretende, assim, manter o bom clima dos shows que apresenta pelo interior do país.

Sozinho com seu violão ou em formações pocket Marcos viaja por cidades do interior atrás de sua música. Afinal, Milton Nascimento já escreveu que um artista deve ir onde o povo está. E essa Sala de Estar está pronta para continuar viajando e acontecendo por aí. Sempre que a música o convida, ele entra com seu violão e faz acontecer o show.

BETO FEITOSA – jornalista e crítico musical

 


 
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