[13/11/2007]
| Matéria DIÁRIO DO NORDESTE - Fortaleza/CE dia 25/11/2007 |
Romantismo aos quatro ventos
MARCOS ASSUMPÇÃO: entre imagens de sua infância caseira em Niterói, nos quintais por onde viveu, o músico apresenta uma nova proposta em sua trajetória . O cantor e compositor niteroiense Marcos Assumpção faz uma temporada de shows na cidade a partir de hoje, no Mercado dos Pinhões Falando de amor desde “A Casa Vazia”, faixa de abertura de “Quintais”, seu quarto CD, Marcos Assumpção é um cantor e compositor com matizes românticas acentuadas, entre canções de linguagem popular, no verso e na garganta, mesmo que entre arranjos mais burilados com cordas e outros elementos acústicos e eletrônicos bem dosados. Nesta, as cordas de Tutuca Borba ganham a companhia do violão de aço de Victor Biglione e da bateria de Cláudio Infante. Marcos tempera um pouco, mas não deixa de espalhar sua verve romântica aos quatro ventos. Entre imagens de sua infância caseira em Niterói, nos quintais por onde viveu, o músico apresenta uma nova proposta em sua trajetória, marcada menos pela convivência com a noite do que pelo contato desde cedo com seresteiros e intérpretes que seu pai trazia à sua casa, como seresteiro e violonista sete cordas. Gente como João Nogueira, que ele se acostumou a ver por perto. “Comecei a tocar violão e a compor pouco a pouco até que conheci o Ricardo Cravo Albim, em 95, que me deu muita força no começo”. Há dez anos, veio uma participação no show “Balaio do Sampaio”, produzido por Sérgio Natureza, em homenagem ao cantor e compositor capixaba. Natureza se tornou outro grande incentivador de Assumpção, produzindo seu primeiro CD. No final de 98, participou do projeto Novo Canto, da Rádio JBFM, sendo apadrinhado pelo cearense Fagner. Do repertório dele, cantou de “Mucuripe” a “Espumas ao vento”. “Sempre escutava Fagner, pelos discos do meu pai, principalmente o ‘Orós’. Somos amigos até hoje, ele é uma grande influência”, conta, lembrando ainda que dividiu com ele admiração pela poetisa portuguesa Florbela Espanca, de quem gravou “Caravelas”, em seu álbum mais recente. No ano seguinte, lançando o CD de estréia, Marcos Assumpção montou o show “Cantar”, com a cantora e compositora Lucina, sua parceira em “Romã”, de seu novo álbum, em que volta ao lirismo, conduzido pelo acordeom de Julinho Teixeira. É que há outras praias no álbum lançado no ano passado. Do intimismo de “Meu Quintal”, com cordas e programações fluindo tranqüilo entre as imagens vibrantes do rapaz, em uma canção de amor que remete às reminiscências projetadas na casa da infância. Outras com mais suingue e despojamento, tipo a balada pop funkeada “Livre pra você”, com arranjo de metais de Zé Canuto, a bateria de Carlos Balla e o vilão de João Castilho. Ele próprio admite ser mais próxima de Jorge Vercilo, “mais Djavan”, talvez mais no vocal e no arranjo certeiro do que na simplicidade da letra. A música está tocando em algumas rádios da cidade, além de “Talismã sem par”, parceria com o próprio Vercilo, e de “Abre coração” (de Peninha, sucesso com Marcelo nos anos 80), com Marcos escancarando de vez seu romantismo em seu CD anterior, de 2004. Riscos da versatilidade Mas o romantismo não é a única chave para o sucesso, e Marcos Assumpção investe em outras linguagens populares, como o reggae, presente na sua leitura de “Abre Coração”, com um romantismo coerente, que remete de perto a Jessé, e na mais recente “Mágica”, que passeia pelo ritmo jamaicano entre metais e uma guitarras mais previsível de Victor Biglione. Há também uma certa referência no “menestrel” Osvaldo Montenegro, em faixas como “A trilha”, ao violão de Biglione e as violoncelo de Lui Coimbra, e na mais consistente ainda “Dança da Lua”. Marcos também já regravou, com coerência, “Bandoleiro”, do repertório de Ney Matogrosso; “Fado Tropical”, de Chico Buarque e Ruy Guerra, e ainda “O seu olhar”, de Arnaldo Antunes, remetendo ao pop rock, um tanto mais frágil, de “Sorte pra nós dois”. Às vezes, tamanha versatilidade esbarra em alguns falsetes e também no forte sotaque carioca do rapaz. Mas também ajuda a dinamizar sua trajetória, há alguns meses como apresentador do quadro Circuito Musical, do programa Circuito Aberto, transmitidopelo canal Cine Brasil TV (Net e TVA). “É uma experiência a mais, em que divido a minha música com outros colegas, instrumentistas e letristas”. Para quem se formou em veterinária, mas decidiu levar a vida a cantar, tudo muito natural. Serviço: Show do cantor e compositor Marcos Assumpção. Hoje, às 20h, no Projeto Quinta Cultural do Mercado dos Pinhões. Grátis. Sábado, às 22h30, no bar Café Ponto de Luz (Dunas). Couvert: R$ 3,90. Dia 7 de novembro, às 19h30, no Centro Cultural Oboé. O álbum ´Quintais´ estará à venda por R$ 15,00.
Fonte: DIARIO DO NORDESTE
|