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Entrevista concedida ao Jornal Contraponto em 26/05/2009, via e-mail. Clique aqui!!!!!!

1 - Antes de entrarmos direto em Florbela, gostaria que você contasse um pouco de sua carreira, influências literárias e musicais...
R- Sou filho de seresteiro , meu pai tocava violão de 7 cordas e cantava, minha mãe toca piano e minhas tias , todas, cantam. Cresci em meio a rodas de samba e chorinho promovidas pelo meu pai, que era muito amigo de Zé Kéti, João Nogueira, Adelaide Chiozzo, Jonas do Cavaco ( conjunto Época de Ouro ). Com 16 anos já cantava com essa turma toda. Aos poucos, fui conhecendo mais gente influente, até que fiz meu primeiro programa de radio com meu amigo Ricardo Cravo Albin. Logo depois, participei de um show em homenagem ao falecido compositor Sergio Sampaio , ao lado de Zé Ramalho, Luiz Melodia, Lenine, Elba Ramalho, etc, à convite do poeta Sergio Natureza, produtor do espetáculo. Nos tornamos amigos e em seguida, Natureza produziu meu primeiro cd, no qual tive Fagner como “padrinho” de lançamento em um show no Rio de Janeiro. Sempre ouvi muita música, Roberto Carlos era meu maior ídolo , Beatles, Chico Buarque, Zé Ramalho , aliás, gosto muito da musica Nordestina no geral. O Clube da Esquina  é outra grande influencia pra mim. Em literatura, sempre fui fascinado por Monteiro Lobato e Cecília Meireles. Euclides da Cunha com Os Sertões é uma marco pra mim .  Na literatura portuguesa, em especial Florbela Espanca e Fernando Pessoa.
2 - Fale algo sobre o novo CD  e esse novo espetáculo...
R- É um cd com sonetos de Florbela Espanca que musiquei , resultado de 3 anos de intensas pesquisas sobre ela. Na verdade, sempre gostei muito da sua obra e há 10 anos pesquiso e leio tudo sobre sua vida. Resolvi fazer este disco meramente como satisfação pessoal, sem compromisso e pretensão com o que viria a acontecer. Felizmente, o disco vem sendo muito bem recebido pela crítica e radio e no show, comento um pouco dos 17 poemas presentes no cd, falando curiosidades de sua vida que muitos fãs não conhecem, relacionando o porquê dela ter escrito determinados sonetos.Montamos um cenário com painéis de 2 metros cada ( são 5 no total ) , com fotos dela, dos manuscritos originais de alguns sonetos e fotos de Violetas, suas flores preferidas junto com os Crisântemos. É um show intimista, marcado pela emoção que a obra de Florbela transmite , e os arranjos procurei fazer de maneira que isso ficasse evidente, daí os instrumentos eruditos, melodias densas, melancólicas, com um lado medieval flagrante no quarteto de cordas, oboé e  viola da Gamba. 3 - E agora, direcionando a conversa para Florbela Espanca, poderíamos começar por uma questão quase pessoal. Porque não Fernando Pessoa, ou mesmo, Cecília Meireles, se quisermos continuar entre as poetisas?
R-  Como disse anteriormente, gosto muito de poesia , Fernando Pessoa e Cecília Meireles estão entre minhas influências, mas minha relação com Florbela  transcende a todos os outros. Uma das coisas que mais me chamaram atenção  foi a sua personalidade,  sua incrível coragem de se expressar publicamente , falando de sua vida conturbada, casamentos desfeitos, abortos, numa época em que isso era visto como afronto à sociedade ainda mais em se tratando de uma mulher. Florbela foi a primeira mulher a ingressar no curso de Direito da Universidade de Lisboa , rompeu barreira s quebrou-as com muita determinação. Outro fator que me chamou atenção foi de que ela falava de sentimentos comuns a todos nós , como dor, solidão, amor, perda, esperança , de uma forma autobiográfica, sem medo , e de uma profunda melancolia , mas genial ao mesmo tempo. Sua poesia passional me encantou.
4 - Há alguma “relação” entre os músicos que lhe acompanham com a musa portuguesa?
R- Diretamente não , mas no decorrer do trabalho, acho que todos acabaram aprendendo um pouco sobre Florbela e mergulhando em sua vida, que foi muito difícil em todos os sentidos , e eles, assim como eu já estava, acabaram mergulhando nesse universo de dor, desencanto , melancolia, mas de genialidade e poesia brilhantes. Muitos dos meus músicos não conheciam Florbela e hoje, alguns se tornaram fãs. Agora, na parte musical a entrega deles foi total , o Falcon – que fez os arranjos comigo – traduziu no baixo acústico com arco e nas  melodias do quarteto de cordas que escrevemos , a dramaticidade exata que eu queria e achava que os sonetos pediam ; o Daniel Santana passou com seu bandolim as nuances portuguesas e emoção na medida certa ; o que muito me impressionou também foram músicos muito jovens que tocaram com extremo profissionalismo , como a Juliana Bravim de 20 anos que tocou oboé lindamente , com frases ponteadas de intensa melancolia , como eu queria mesmo ; a Débora Nascimento de 21 anos que com seu fagote , floriu mais ainda as canções que tocou ; teve o Cristiano Alves, primeiro clarinetista da orquestra sinfônica do Teatro Municipal do RJ que abrilhantou o trabalho também ; a Kristina Augustin que tocou viola da gamba, instrumento renascentista de 1300 numa das faixas mais emocionantes do disco, ou seja, todos “incorporaram” o espírito “Florbeliano” , mergulhando de corpo, alma, dedicação e profissionalismo.
5 - Qual seria ou qual foi a sua maior surpresa e qual o maior fascínio causado ao imergir para o universo de Florbela Espanca?
R- Fascínio foi o que falei anteriormente , a sua personalidade muito forte, sua coragem e sua absoluta falta de medo em fazer e dizer o que pensava e queria .  Me identifico muito com isso porque fiz este disco exatamente assim, sem medo do que poderia acontecer, o que a crítica falaria, as rádios, e além do mais, sou um artista que tenho minha própria gravadora e faço minhas canções , dirijo minhas ações , ou seja, um independente que não é mambembe, que tem o compromisso em pelo menos tentar fazer bem feito, seguindo sua intuição. É claro que adoro saber que o disco está sendo bem aceito, as composições dos poemas, o show. Outro detalhe é que sou fascinado pela sua figura , a foto que colocamos na capa do cd me transmite uma melancolia inquietante , e ao mesmo tempo retrata a beleza dos traços da mulher portuguesa, no seu caso, ainda que claramente demonstre o quanto foi sofrida.Surpresa foi em descobrir que minha música se identificava tanto com sua poesia, ou seja, achei minha parceira ideal – risos – muita coisa que ela escreveu eu queria ter escrito , mas achei ali, na minha frente, pronto . Muitas vezes . ao ler um soneto seu, disse : “ Este é exatamente o que penso...”  Surpreendente também foi descobrir a sua vida fora dos livros , saber do seu dia a dia , consegui livros raros que falavam do seu cotidiano.
6 - Satisfazendo a curiosidade de muitos, Florbela foi mesmo apaixonada pelo irmão?
R-   É  difícil afirmar que sim ou não. Em todos os livros e biografias que pesquisei, não encontrei nenhum relato que comprovasse isso concretamente. Pelo pouco que estudei da sua vida ( não me considero um especialista em Florbela, e sim um entusiasta e apaixonado pela sua obra ) , acho  que ela nutria um sentimento profundo por Apelles ( seu irmão) que transcendia ao de irmã/irmão  , ela enxergava nele, ou pelo menos tentava enxergar  o amor idealizado para si , já que nunca conseguiu ser feliz em seus casamentos ( foram 3 no total, todos desfeitos), mas é claro que isso é apenas a minha opinião, mas se foi incestuoso ou não , não posso afirmar, como também não posso dizer que ela queria que fosse  . Na verdade, talvez essa seja a maior dúvida em relação a vida de Florbela , aquilo que jamais saberemos. Fato concreto é que essa dúvida abalou e muito a sociedade da época , e ela chegou a ser acusada de incesto . Detalhe curioso é que em seu funeral , Florbela foi enterrada com um pedaço de fuselagem do avião no qual Apelles  estava quando morreu . Ela guardou a peça  logo depois da morte dele, e confidenciou a amigos o desejo de ser enterrada com o pedaço do avião.
7 - Qual fora o sentimento que lhe suscitou relacionar as duas artes: poesia e música?
R -  Gosto de musicar poemas, mas nunca tive o desejo de fazer um disco inteiro neste sentido. Com Florbela aconteceu devido aos fatos que relatei acima, da minha identificação com ela. O fato de você ter parceiros, sejam eles poetas ou letristas, te faz entrar no universo do outro, saber e entender o que ele pensa sobre determinado assunto , que por mais que sejam parecidos, nunca será igual ao que você mesmo pensa. O que procurei foi tentar fazer as melodias mais próximas do que ela havia escrito , exacerbando o que ela quis dizer. Por exemplo, em MENTIRAS , ela fala das traições que sofria no casamento de forma irônica, então resolvi fazer um fado , um tipo de brincadeira, mas que ela mesma sugeriu , já  INCONSTÂNCIA achei que pedia uma coisa mais profunda , melancólica, porque ela falava diretamente da sua vida, de como as coisas chegavam e partiam, sem que alcançasse o sentimento pleno de felicidade , daí a melodia triste do oboé. Acho que esse foi o maior desafio , fazer com que as melodias se encaixassem com o que ela quis dizer, e confesso que foi difícil em algumas musicas, já que não tinha ela para aprovar ou não ( risos ) , e não sabia o que os fãs de Florbela iriam achar, e os meus também , mas acho que pelo menos andei próximo do que ela gostaria, e isso me dá um sentimento de dever cumprido , gostei muito do resultado e arrisco dizer que é o disco que me deu mais prazer em fazer, apesar da vida claramente regada a tristezas e desilusões que ela viveu, e acabei mergulhando nisso, pude sentir de perto o que ela sentiu, sei lá, me entreguei mesmo.
8 - Há algum poema da autora que lhe toca de forma diferente dos demais? Por quê?
R – O soneto ERRANTE me tocou desde quando o li pela primeira vez . Ela terminava com a frase “... como essa mãe que viu partir o filho, como esse filho que não voltou mais...” , e Florbela sofreu abortos involuntários em vida , achei, à princípio , que ela o havia feito por este motivo, mais fiquei perplexo quando descobri que foi escrito bem antes de sofrer seu primeiro aborto , como se ela já soubesse o que o destino guardava para ela , um tipo de intuição . O outro é DE JOELHOS , aonde ela enaltece o sentimento de maternidade , da criação embalada em berço : “Bendita seja a mãe que te gerou, bendito o leite que fez crescer...” Na época, era comum em Portugal um costume medieval de que , se a  esposa não pudesse ter filhos, o marido poderia te-los fora do casamento e depois trazer a criança para sua casa, para ser criada por ele e sua esposa, e Florbela é fruto desse costume, a esposa de seu pai não podia ter filhos, e ela nasceu da relação de seu pai com uma empregada de outra casa. Assim , Florbela não foi criada por sua verdadeira mãe, sua mãe biológica, assim como seu irmão ( filho da mesma união com a empregada ) . Quando ela se aproximou de sua mãe biológica, a mesma faleceu logo depois. Resumindo, Florbela nunca conseguiu realizar seu maior sonho que era o de ser mãe, e também não foi criada por sua mãe , nunca foi embalada por sua mãe , não teve sua mãe por perto mesmo quando decidiu ter . Isso era um dos inúmeros motivos que a  tornavam uma pessoa amarga, triste.
9 - Pediria agora, que dissesse algumas palavras a respeito do seu pensamento em relação à necessidade da arte, nomeadamente, da poesia e da música, em meio à vida “atordoada” que nos encontramos...R – Penso que a arte é uma das poucas coisas que restam pra mudar o pensamento de gerações futuras. Tive o privilégio de ser criado em meio a ela , mas também me esforcei para dar continuidade ao que me foi oferecido quando criança. O que me parece é que isso deva ser feito de forma natural, objetiva, estudei num colégio aonde a Musica era matéria obrigatória , a Literatura também, mas não adianta empurrar essas disciplinas nas escolas de uma hora para outra, é preciso que haja toda uma preparação anterior, tanto em casa quanto em projetos sociais de incentivo a leitura, a música , a pintura, poesia , teatro. Se a criança vai virar artista ou não, é o que menos importa, importa é saber que ela vai ter informação suficiente e concreta para discernir , opinar de forma coerente, e construir sua vida , porque a arte nos ajuda neste sentido. Existe também o fato da arte ser a válvula de escape para dias tão atribulados, cansativos e desgastantes, mas para ir ao Teatro, é preciso que se comece desde cedo, incentivando a criança , para escrever e gostar de poesia é necessário também o incentivo a leitura. Recentemente conheci músicos muito jovens estudando música erudita  numa ONG chamada  Orquestra de Cordas da Grota de Niterói , de onde trouxemos a Mayara Ferreira que tocou violino, o Manoel Ferreira, viola , e o João Carlos Vidal, violoncelo , todos com menos de 20 anos.              
Por fim, queria agradecer imensamente, de forma pessoal, pelo prazer em conhecê-lo, além de  aproveitar para enaltecer vossa solicitude ao conceder-nos essa “prosa”. Agradeço em nome do Jornal Contraponto, e por todos os nossos leitores que, sem dúvida, reconhecem a necessidade da arte para a existência completa do homem...Muito obrigado e sinceros votos de sucesso, o que me parece mera conseqüência do seu excelente trabalho, parabéns! A idéia da entrevista nasceu depois do show belíssimo que Marcos Assumpção nos brindou na cidade de Itabirito.Bernardo G.B. Nogueira
 


Fonte: Bernardo G.B. Nogueira
Data: 29/06/2009


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